Archive for fevereiro \25\UTC 2010

Pablo Capilé

fevereiro 25, 2010

Há um mês, me encontrei com esse figura de Cuiabá-MT aqui em Divinópolis. Veio visitar a cidade e saber porquê cargas d’água a cena independente daqui não funciona (?). Na reunião havia  dez pessoas, contando com o próprio, o Talles Lopes do Coletivo Goma – Uberlândia (MG) e Lucas Mortiner do coletivo Pegada – Belo Horizonte – (MG), palestrantes do Coluna Fora do Eixo. E a conclusão é a inércia dos músicos, simples e direto. As pessoas preferem ficar em casa sem fazer nada, ou fazer o que odeia, do que trabalhar a Cultura – na forma Antropológica – trocar idéias, informações e o principal, criar sociedade com os mesmos objetivos socio-culturais.

O interessante do encontro foi a aula de funcionalidade e persistência social dos Coletivos. Encabeçada por Pablo como lider ideológico, a política dessa sociedade é horizontal.  Todos têm participação e benefícios garantidos se trabalharem em prol dos objetivos dos Coletivos, que é socializar a localidade onde o músico mora. Diferente, muito mais inteligente e sem violência ; como a, daquela feita por Che Guevara e outros esquerdistas. A voz dos coletivos é a música independente.

Com esses objetivos em punho, de um espaço de garagem em Cuiabá (1996), chamado Espaço Cubo, hoje  80% da produção musical no Brasil passa pelo Circuito Fora do Eixo. Até o Ministério da Cultura (MinC) sacou a importância desses Coletivos e convidou o Fora do Eixo para participar da Agência Nacional da Música – a implementação está prevista para este ano. Assim como a Ancine está para o Cinema Nacional,  esta Agência estará para a Música Brasileira.

Esta nova forma de adminstração musical fez com que um grupo de economistas de São Paulo estudasse o funcinamento mercadológico e junto com pessoas ligadas a coletivos paulistas estão montando uma agência mercantil com olhos no futuro do mercado fonográfico brasileiro. E junto com ela, uma agência política em Brasília (DF) para ficar bem próximo das ações políticas.

A fagulha para tudo isso acontecer foi uma troca de idéia entre vizinhos no subúrbio de Cuiabá. No início da década de 90 não existia espaço para esses dois amigos expressarem seus gostos culturais e foram tocar no passeio de casa, para os pais e os amigos.

O “Loucaço”  Humberto Finatti entrevistou esse ícone da “nossa geração” pelo msn e você confere logo aqui em baixo.

Zap’n’roll – O GR 2010 está cobrindo 80 cidades brasileiras. Há menos de sete anos, ele se restringia apenas a Cuiabá e com bandas locais. Como se deu tamanho crescimento em tão pouco tempo?

Pablo Capilé – Resultado da articulação do Circuito fora do eixo que cresceu absurdamente nos últimos anos, hoje temos 45 coletivos em todo o país, e mais especificamente em 23 Estados. Sem falar no ambiente favorável ao associativismo que rola hoje no cenário independente brasileiro, com associação de casas, de festivais, de coletivos e etc, isso tudo potencializa e muito todas as ações ligadas em rede, e o Grito é uma delas.

Zap – Neste período sua figura como produtor cultural também cresceu exponencialmente. Quando o conheci, em 2005, seu trabalho era quase que conhecido apenas em Cuiabá. Hoje você passa boa parte do ano viajando e fazendo palestras, além de manter contato direto com o Ministério da Cultura. Alguns músicos, inclusive, brincam dizendo que Pablo Capilé é o homem mais poderoso da atual cena musical independente brasileira. A que você atribui isso, a ter tanto prestígio hoje?

Pablo – A cena independente toda cresceu muito nos últimos anos, a troca de tecnologia entre produtores, festivais, jornalistas, artistas tem possibilitado esse crescimento e auxiliado na construção de alicerces bem sólidos para tudo isso que esta sendo viabilizado em conjunto por centenas de pessoas em todo o país. O prestigio é dessa cena e é ela que devemos valorizá-la.

Zap – Certo. O trabalho da Abrafin tem sido elogiado pela maioria das bandas que participam dos festivais, e pelos próprios festivais a ela filiados. Mas também já começa a surgir o coro dos contrários – e isso acaba sendo inevitável – , colocando em cheque o modus operandi da entidade. Como você vê essas críticas, de músicos, jornalistas e produtores de discordam de como a Abrafin está atuando na cena musical independente do país?

Pablo – Sempre vão ter insatisfeitos. Tem 10 mil bandas querendo tocar e só existem 1400 vagas por ano nos festivais, ou seja, teremos 8600 bandas que não vão tocar, boa parte delas entende que deve continuar tentando e outra boa parte fica insatisfeita e assim funciona em todos os setores. Mas acho que os artistas precisam se organizar de forma mais eficiente , não adianta ficar chorando aí no varejo, cada um pensando no próprio umbigo. Deveriam criar a Abramin- associação de músicos independentes e começarem a reivindicar como gente grande.

Zap – Não deixa de ser uma ótima idéia, a da Abramin. Mesmo porque uma das principais reclamações, notória aliás, é que a maioria das bandas além de não ganhar cachê pra tocar nos festivais, muitas vezes têm que investir em passagens e etc pra poder se apresentar. No final das contas, essas bandas não deveriam encarar esse suposto gasto como um investimento nelas mesmas? Pois tocar em um festival sempre gera visibilidade e mídia para o grupo, não?

Pablo – Sim. Recentemente dei uma entrevista no http://www.oinimigo.com que falei exatamente disso. E tudo que penso a respeito tá lá, vale a pena ler os comentários também, já que muita gente opinou a respeito e aí cada um vai lá e tira suas conclusões.

Zap – Ah, sim, essa entrevista gerou uma grande repercussão, eu também a li. Mas, para o leitor do nosso blog entender melhor: quais são os critérios que norteiam, por exemplo, o produtor Pablo Capilé, na hora dele montar o line up de um festival como o Calango e, também, quais os critérios para ele decidir quais grupos irão receber cachê e passagens e etc, e outros não? Pode parecer uma pergunta boba, com uma resposta óbvia – grupos já bem conhecidos na cena indie e que atraem seguramente público ao festival, teriam melhor tratamento da produção. Mas há quem reclame que alguns dos festivais da Abrafin têm sua “panela”, que beneficia as bandas mais amigas, mesmo que estas não sejam tão conhecidas do público e nem que atraiam um grande público. É isso que eu gostaria que você de fato esclarecesse

Pablo – Primeiro que no Calango não existe diferença de tratamento entre as bandas, todas recebem exatamente o mesmo tratamento, mesmo hotel, alimentação, van, palco, som, luz etc. O Calango é refêrencia em termos de atendimento ao artista. E nos anos que tivemos patrocínio da Petrobras pagamos cache para boa parte das bandas, principalmente as que já tinham vindo a Cuiabá e já tinham público local. E os festivais da Abrafin também são referência nesse atendimento ao artista, todos se esforçam ao máximo para dar as melhors condições possíveis para que o artista se apresente. Como disse acima sempre vai haver quem reclame, já que não cabe todo mundo. A maioria das bandas que tocam no Calango são escolhidas pelas bandas locais, de coletivos parceiros do Cubo, e também pelos meninos do Macaco Bong que viajam muito pelo país e assistem shows de várias delas, assim com outras bandas cuiabanas que tem rodado bastante.

Zap – Sim,sim. Agora, uma outra questão: você não tem medo que um dia a Abrafin e sua diretoria, dado o crescimento que a entidade está experimentando, venha acabar cometendo os mesmos vícios de conduta do mainstream que ela sempre combateu tanto, ainda que venha a ter esses vícios involuntariamente? Não seria o caso de a entidade estar sempre fazendo uma constante avaliação de sua atuação?

Pablo – A entidade ja faz isso sempre, não conheço nenhuma entidade de musica no país que coloca tanto a cara a tapa, que sua diretoria dá tantas entrevistas, que participa de todos os debates possíveis em listas, em comunidades, em sites, blogs, em palestras pelo país etc. Colocar a cara a tapa é estar aberto a se reavaliar sempre, a debater sempre e a construir em conjunto com as pessoas. E isso já nos diferencia muito dos vícios da grande indústria, que sempre se colocou acima do bem e do mal, e nunca descia do seu altar para debater com os músicos, jornalistas, produtores etc. SOMOS SEMPRE BASTANTE ACESSÍVEIS E ABERTOS AO DIÁLOGO.

Zap – Quando foi criado, o coletivo Fora do Eixo se propunha justamente a dar voz e suporte a toda uma cena musical que não conseguia espaço no chamado “eixo cultural” do Sudeste. Não é uma tremenda ironia e cooptação o fato de que agora o coletivo acaba de inaugurar escritório em São Paulo, onde você inclusive vai fixar residência nos próximos meses? O Fora do Eixo estaria, por assim dizer, querendo entrar dentro do Eixo?

Pablo – A questão geográfica já deixou de ser o mote do circuito há muito tempo, logo em seu primeiro ano. Tem bandas e produtores com as mesmas angústias e com mesmos pontos convergentes seja em SP ou em MT. O escritório em SP era questão de tempo, precisávamos também de uma representatividade maior na capital econômica do país, não tem ironia nenhuma, tem continuidade com o compromisso de ajudar a construir um forte cenário da música independente no país. O próximo passo é o escritório em Brasília, a capital política. Passei somente 45 dias em Cuiabá ano passado e vou passar esses 45 dias em SP em 2010, rs. Não tenho parado muito ultimamente, visito sempre os coletivos do Fora do eixo, os festivais da Abrafin, e as casas das casas associadas, só nessa temos mais de 100 pontos em todos os Estados. Mas estarei mais em SP esse ano com certeza.

Zap – Ok. E falando em política: muita gente vê sua atuação como sendo extremamente política, além de eventualmente acusá-lo de utilizar a música como meio para fins políticos. Você concorda com isso? Pretende se candidatar a algum cargo político num futuro próximo?

Pablo – Só fala isso quem não entende nada de política. O homem é um animal político, que se inter relaciona com outros animais políticos, e isso que nos torna racionais. A política tem um sentido antropológico muito maior do que um partido e boa parte do setor cultural sempre teve dificuldade em compreender isso, mas as coisas tem mudado muito de um tempo pra cá. Ser diretor da Abrafin é um cargo político, ser um dos coordenadores do Fora do eixo é um cargo político, ser um associado das casas associadas é um cargo político.

Zap – Mas você pretende se candidatar a algum cargo político no futuro, em Cuiabá ou em outra cidade? Se sim, tem idéia de qual seria sua plataforma na campanha?

Pablo – Os cargos que eu pretendia eu já ocupo e tô muito bem servido e cheio de trabalho.

Zap – Você não tem nenhuma ambição política, então?

Pablo – Você entendeu minha resposta à sua primeira pergunta sobre o tema “Política”?

Zap – Sim, mas queria ter certeza de sua resposta ou convicção. E o fato de não pretender nenhuma candidatura tem a ver com algum desencanto com a seara política ou você se relaciona bem com ela?

Pablo – Já disse que já me candidatei a vice presidente da Abrafin, a Coordenador de ação política das casas associadas e a ser um dos coordenadores do Fora do eixo. Ou seja, não existe desencanto nenhum. Política é a arte de ocupar espaços e temos feito isso bem, na minha opinião.

Zap – Ok, e finalizando, uma questão importante: quando seu nome e sua atuação começaram a ganhar mais projeção na mídia impressa e na web, uma comunidade inteira do Orkut, a da revista Bizz, que não é referência de nada mas acha que é, via com péssimos olhos seu trabalho e você era constantemente bombardeado lá. Hoje, o panorama lá mudou radicalmente ao seu favorm e quem o criticava pesadamente hoje elogia seu trabalho, com exceção de alguns jornalistas como Sérgio Martins (da revista Veja) e Roberto Sadovski (o popular “sabosta”). Na sua opinião, a que se deve essa mudança no jogo ao seu favor?

Pablo – Acho que o cenário todo tem amadurecido bastante e encontrado canais de diálogo mais interessantes e colaborativos. O processo é mutante e todos estão constantemente reavaliando suas posições e convicções, e isso é muito saudável. Não vejo mudança no jogo, vejo compromisso com a qualidade, que é o que todos querem para a musica brasileira. Quanto às críticas: liberdade de expressão, cada um avalia as situações conforme suas convicções pessoais, e quem discorda contrapõe, e assim funciona o processo. Acho saudavel.

Anúncios

OS VÍCIOS DA LEITURA

fevereiro 25, 2010

Pensando nisso, a Tankbook lançou vários títulos como Kafka, Hemingway, Tolstói e outros em formato de box de cigarro. Talvez uma crítica ao Totti, por achar que o grande vício da humanidade é o computador. O interessante é o apelo publicitário. No site da Tankbook está escrito “uma das peças de maior sucesso na história do design de embalagens”.

Dica da Biblioteca da Raquel

B.

3º CD: DUAS MÚSICAS NOVAS NA INTERNET

fevereiro 22, 2010

Finalizamos, esta semana, as gravações de duas músicas que estarão em nosso próximo álbum. Estamos felizes com o resultado, pois acreditamos que estamos conseguindo uma sonoridade nova sem abandonar nosso espírito. Durante os trabalhos no estúdio, optamos por uma postura que nunca havíamos vestido: o cuidado com as nuances que cada música pede e não a imposição daquilo que queremos nas músicas. É claro que houve brigas de peixeira.

A primeira que gravamos foi Belo Horizonte, um manifesto de poética desencantada que o músico e poeta César Gilcevi, ex-baterista do Carolina Diz, escreveu para que o Anarkaos musicasse. Fizemos uma melodia simples e direta, como é a angústia de uma metrópole. Branco fez os vocais. Sua voz dá um tom diferente, peculiar em relação ao que a banda geralmente alcança.

A segunda a ser finalizada tem o seguinte nome: O incrível Senhor Ministro do Funk Superpesado contra o Dragão da Rotina. Ela conta a divertida estória do herói que mata o monstro com o acachapante suingue do seu trompete. É um som dançante, pra cima. Homenageia os grandes astros da black music na figura de seu representante maior, James Brown. Convidamos o trompetista do Skank, o formiguense Paulinho, para que ele gravasse arranjos de trompete. O resultado ficou maravilhoso, com um solo de altíssimo nível, que nada perde para os mestres da soul music. Paulinho deu dignidade e maturidade à essa música e estamos muito orgulhosos do produto final.

Gostaríamos de dizer às pessoas que acompanham a banda nosso “muito obrigado!” pela paciência em relação ao fato de estarmos há muito tempo sem lançar trabalhos inéditos. Tivemos de desenvolver um projeto alternativo que proporcionasse um retorno financeiro imediato a fim de comprarmos diversos equipamentos que melhorassem nosso estúdio. Compromissos profissionais, familiares e uma pá de problemas também vieram no pacote, mas estamos firmes na realização de nosso terceiro disco.

Nossas duas  novas músicas estão disponíveis gratuitamente na internet no site www.myspace.com/anarkaosbrasil.

Levantemos os braços e brindemos ao rock!

Placebo

fevereiro 18, 2010

Da Rolling Stone Brasil Online

“Foram confirmados nesta quarta-feira, 17, quatro shows da banda inglesa Placebo em território brasileiro, no mês de abril. Pela perfil no Twitter Credicard é Show, os responsáveis pela vinda da banda informaram que a turnê passará por Porto Alegre (Pepsi on Stage, dia 13), Curitiba (Master Hall, 14), Belo Horizonte (Chevrolet Hall, 16) e São Paulo (Credicard Hall, 17). Ao serem questionados por fãs nas página, os organizadores afirmaram não ter nenhuma informação sobre possíveis datas no Rio de Janeiro. “

Howlin Wolf

fevereiro 12, 2010

“Chester Arthur Burnett (10 de junho de 1910 – 10 de janeiro de 1976), mais conhecido como Howlin’ Wolf foi um importante cantor, compositor e guitarrista de blues.Era conhecido assim pois na maioria de suas músicas ele usava do artifício de “Uivar” durante a música. Eric clapton era um de seus “seguiidores”, basta ouvir a canção “Strange Brew” e comparar com o sola da música “Highway 49″, pois é identico nota-a-nota.” O The Cream regravou Spoonful também. Recomendo!

Break (Midnight Oil)

fevereiro 11, 2010

“Integrantes do Midnight Oil e Violent Femmes formam banda de surf music

Álbum tem lançamento previsto na Austrália em abril.

Maior parte das músicas será instrumental.

 

Do G1, no Rio

Midnight Oil, se uniram ao baixista do Violent Femmes, Brian Ritchie, e formaram uma nova banda de surf music, informou o site da revista “Spinner”.

Batizado de Break, o novo grupo compôs 15 canções em nove dias e já programou o lançamento do álbum “Church of the open sky” para abril, na Austrália.

Os músicos se conheceram ainda nos anos 80, quando fizeram uma turnê juntos. Em 2006, o norte-americano Ritchie se mudou para o país da Oceania.”

Strokes

fevereiro 6, 2010

“Boa notícia para os fãs de The Strokes. A banda norte-americana está em estúdio para a gravação do quarto álbum, após quase quatro anos sem novidades. O último trabalho foi o disco First Impressions of Earth, de 2006.” Segundo site IG.

ZZ TOP no Brasil

fevereiro 5, 2010

“Ingressos para show do ZZ Top em São Paulo estão à venda

Banda de rock texana se apresenta pela primeira vez no País

 iG São Paulo

Já estão à venda os ingressos para o primeiro show do trio de roqueiros veteranos ZZ Top no Brasil. A apresentação acontece na cidade de São Paulo em 20 de maio. O ZZ Top surgiu em 1969 e tem como marca registrada o visual de seus integrantes. Enquanto o guitarrista Billy Gibbons e o baixista Dusty Hill cultivam longas barbas, o baterista Frank Beard (beard quer dizer “barba” em inglês) mantém apenas um distinto bigode.”

http://musica.ig.com.br/

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS

fevereiro 4, 2010

O Documento Especial – um dos programas mais bem pensados e produzidos no Brasil – da extinta TV Manchete, fez essa pérola com a frase de Nelson Rodrigues  “Os Idiotas Vão Dominar o Mundo”.

divirta-se!