ROSA E HOLLANDA

Hipóteses

“Não sei se Guimarães Rosa é melhor que João Gilberto. Eu não sei.” Disse Chico Buarque de Hollanda do Brasil na Flip de 2009. A pergunta é: por que escolheu Guimarães para fazer esse comentário?

Comentar sobre Literatura é andar sobre um terreno arenoso. Não se deve ser atrevido, pois reina a subjetividade. Buarque causou expressões de espanto ao se expressar com a frase acima. Posteriormente, se se sentir sob pressão, pode muito bem dizer que poderia ser outro escritor, foi só um exemplo. Claro que ele quis polemizar, pois é evidente que Rosa tem sido muito comentado desde os 50 anos de “Grande Sertão: Veredas” em 2006. Coincidentemente, João Gilberto cancelou shows na Espanha recentemente por motivos de saúde.

Escritor e compositor de sucesso, Chico, nascido no Rio de Janeiro em 1944, conseguiu o que poucos conseguem: ser uma unanimidade. Mérito dele ao ser habilidoso com as palavras faladas e cantadas. Suas letras são estudadas até hoje nas escolas, servem de exemplos e comparações para estudos literários.

Na Flip, na mesma circunstância, disse que gosta de escrever sobre o desconhecido, foi assim com “Budapeste”. Não conhecia a capital. Agora, com “Leite Derramado”, comentou que fez o mesmo. Escreveu sobre um tempo que não viveu, 1929. Como faz isso não se sabe, mas os seres humanos e os lugares são parecidos no mundo, universalismo, algo característico nos livros de Guimarães. E a cultura europeia é assimilada, inclusive por brasileiros da elite.

A que ponto se deve chegar com isso? Compositor da MPB, inclusive, deve conhecer a fundo a obra de João Gilberto. Como escritor, não sei se conhece profundamente a obra de Rosa. Há liberdade subjetiva de gostar ou não de um escritor. Pode haver uma disparidade cultural aí.

Será isso um exagero? A questão é que os espantados ficam procurando respostas e fazendo hipóteses pelo que foi dito.

CHICO

guimaraes

4 Respostas para “ROSA E HOLLANDA”

  1. muito bom seu texto, Arlin…rs.

  2. Ví uma reportagem no Globo News sobre escritores que vendem na garganta os livros escritos, o chamado pregão, na Feira Literária de Paraty (Flip). Uns com mais de 15 publicados, outros com centenas ou até milhares de poesias impressas em papel, declamava a visão de um ângulo “sertanista sem oportunidade”, buscando um lugar na antenção dos participantes da feira. Aí chega Francisco de Hollanda, com seus 03 livros e convidado de honra da flip. Qual a importância da escrita dos sertanistas para a Flip? Qual a importância da escrita do Chico para os intelectuais literários?
    Chico Buarque é marketing e publicidade para o evento, nada mais.

  3. Chico não é unanimidade. Deus é testeminha de que há muito tempo venho criticando suas produções musicais desde o fim da ditadura. Sua mina secou. As músicas são pouco inspiradas desde a redemocratização. Sua competência como escritor é estremamente relativa. Já conversei com leitores experientes – e fãs do escritor – que simplesmente não conseguiram ler seus livros.

    Quanto à sua declaração na Flip, é de uma falta de senso de rídiculo sem tamanho. Perdoem minha linguagem, mas o comentário e tão cretino que eu gostaria de mandar o Chico ir tomar no cu. Comparar João Gilberto com Guimarães Rosa é comparar massa de tomate com patins. Michael Jackson com Jacó do Bandolim. São universos que não chegam a ser opostos. São intangíveis, incongruentes, incompatíveis. J

    João Guimarães Rosa é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Grande sertão:veredas é o maior romance da história da literatura mundial. Jão Gilberto toca bem seu violão, mas canta as mesmas músicas há cinquenta anos!

    Porra, Chico, você é um cara bom de serviço, mas nessa você conseguiu ser ridículo. Patético. Marketeiro. Zombeteiro. Tirador de onda, que conseguiu novamente promover seu último livro, o qual disputa as primeiras posições no ramking dos mais vendidos há algumas semanas. Chico, você foi péssimo.

  4. … extremamente, Chico…

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